ROTA 1ª INVASÃO DE PORTUGAL

ESTA ROTA INTENDÊNCIA DE LEMBRAR a primeira tentativa das forças francesas de invadir Portugal. Após o Tratado de Fontainebleau e o acordo subsequente entre Espanha e França, foi determinado que um contingente francês, apoiado por parte do exército espanhol, passaria livremente pelo território espanhol para derrubar a dinastia de Bragança e assim estabelecer um domínio comum de Portugal entre os dois aliados. De tal forma que a área em redor de Lisboa e os seus abastecimentos portuários ficariam sob controlo francês, para tornar efectivo o bloqueio do comércio britânico, enquanto que a norte e a sul dois reinos satélites do império francês seriam estabelecidos sob controlo espanhol: o Reino da Lusitânia e o Reino do Algarve, respectivamente. Graças a esta fórmula foi assegurado o pagamento a personagens como Godoy, pelo seu apoio determinado à causa napoleónica, e a aprovação da Espanha para transitar pela península, contudo, como foi demonstrado, os interesses e intenções francesas estavam do outro lado. Napoleão deu o comando das suas forças ao General Junot, ansioso por obter um triunfo esmagador que lhe valeria a sua promoção a Marechal, o mais alto posto nas fileiras militares francesas.

Junot estabeleceu a sua sede em Salamanca. Uma vez na cidade de Charra, marchará em direcção a Ciudad Rodrigo para atravessar o Puerto Perales e chegar a Alcántara, onde atravessará para território português.

A passagem é expedida por Idanha-aNova, mais tarde Castelo Branco, e chega a Abrantes a 24 de Novembro de 1808. A próxima paragem será uma marcha sem oposição por Santarém e finalmente chegarão a Lisboa no dia 30, mas as pretensões francesas sofrerão um revés, uma vez que na véspera a família real tinha fugido para o Brasil graças à frota britânica. Uma Junta de Regência permaneceu em Lisboa com ordens para não colocar qualquer resistência.

Apesar disso, houve tentativas de rebelião popular que foram duramente reprimidas, como no caso de Souro Pires, Guarda ou Alpedrinha às mãos do General Loison, conhecido como O Maneta. Este general veio em auxílio da Junot quando a situação desta última se tornou insustentável em consequência do fim da trégua portuguesa. Deixando Almeida, que tinha facilmente levado, dirigiu-se para Lisboa e foi fortemente assediado pelas forças rebeldes portuguesas, pelo que não mostrou misericórdia onde quer que encontrasse oposição.

A aventura francesa terminaria relativamente cedo, porque assim que 1809 começou, a frota britânica sob o comando de Arthur Wellesley (futuro Duque de Wellington) desembarcou na costa da Figueira da Foz, graças à intervenção do Batalhão Académico da Universidade de Coimbra, entre outras coisas. A 27 de Junho de 1808, o Batalhão Académico, formado pouco antes por centenas de voluntários, não só estudantes, chegou à Figueira da Foz, após uma marcha na qual, entre outros eventos, tomaram o forte de Santa Catarina. Depois disso, continuariam ao longo das margens do rio Mondego, recapturando pontos diferentes das tropas francesas. Graças a estas operações foi possível ganhar o tempo necessário para as tropas britânicas desembarcarem confortavelmente na costa de Lavos e para os defensores organizarem com facilidade as defesas de Coimbra.

O protagonismo deste batalhão não parou porque no decurso desta primeira invasão tomariam os fortes de Nazaré e Peniche.

Como estávamos a dizer, desde o momento do desembarque britânico um contingente formado por tropas portuguesas e deste país derrotou os franceses na Batalha da Roliça e na Batalha do Vimeiro, forçando o Acordo de Sintra e com ele o fim da primeira invasão do Império Francês a Portugal.

Seguindo estes primeiros movimentos franceses através de Portugal podemos traçar a pegada napoleónica em diferentes locais e também explorar as primeiras incursões das tropas britânicas em terras portuguesas.

Apesar da participação de vários contingentes franceses na invasão sob o comando de diferentes generais: Junot, Carrafa, Solano e Taranco, vamos concentrar-nos na concepção da rota na actividade dos dois primeiros, uma vez que a maior parte das suas operações é desenvolvida no contexto territorial do projecto. Assim como no lado aliado incluiremos os movimentos do general português Bernardim Freire e do seu “tenente” Francisco da Silveira ou os do britânico Wellesley, futuro Duque de Wellington.

Não devemos esquecer as batalhas decisivas para o desenvolvimento desta primeira invasão em que praticamente todos estes protagonistas tomaram parte

Junot / Carrafa / Loison:

Salamanca, Ciudad Rodrigo, Alcántara, Castelo Branco/Idanha a Nova, Abrantes, Golegã, Santarém, Cartaxo, Montemor-o-Velho, Almeida, Alpedrinha, Guarda.

Bernardim Freire / Francisco da Silveira:

Porto, Coimbra, Leiria.

Wellington:

Figueira da Foz, Roliça (Óbidos, São Mamede, Roliça, Columbeira, Azambujeira dos Carros/General Lake’s tumulus), Vimeiro (Porto Novo/Maceira, Vimeiro), Leiria.